CARVALHO, Helder Martins de

Resumo:

Funchal, 1929 – Funchal, 1978

Pianista, compositor e cantor, pioneiro do Jazz em Portugal. Helder Martins de Carvalho foi uma figura proeminente do panorama musical português nas décadas 1950 e 1960, com produção musical inspirada nas técnicas e melodias dos mestres do Jazz americano como Duke Ellington.

Biografia:
helderHelder Martins abandonou o Curso de Engenharia para se dedicar em exclusivo à carreira musical, com ênfase nas suas atuações em Lisboa, em Moçambique e na África do Sul.
Desde criança que Helder Martins demonstrou uma aptidão natural, habilidade avidez para em relação ao piano, de acordo com o relato de João Pestana, amigo de Helder Martins desde a infância, que comentou dados biográficos do músico no programa do VI Funchal Jazz. “Onde estava um piano, como no Café Ritz, no centro do Funchal, lá estava ele a exercitar os seus dons musicais”. Basicamente um autodidata, Helder Martins tornou-se um exímio pianista, como acompanhador ou como solista, evoluindo da linguagem jazzística da era Swing para a do Bebop.

Helder Martins gravou várias dezenas de discos, essencialmente com os ritmos populares da época, tais como boleros, mambos, sambas, cha-cha-chas, rock’n’roll, twists, yé-yés: Uma Noite na Canoa II, como os singlesVocês Sabem Lá, Querida Terra Formosa e Maria del Carmen; Coisas Esquisitas, que integra as músicas Toada Saloia (‘Agora é que vai...’), Enamorado, Coisas Esquisitas e A Graça da Joaninha (‘Quando ela passa...’); Conjunto Helder Martins no Carroussel, com Dia da Espiga, Giestas, Rua dos Meus Ciúmes, Anabella, African Blues e Yé e Não É; disco Tony Cruz com Conjunto de Helder Martins, que integra os singlesMadeira Sereia do Mar e Mil Estrelas.

Apesar da sua grande atividade como improvisador durante atuações, apenas existem dois registos gravados de solos nos temas Vocês Sabem Lá e Terra Formosa, incluídos no disco Uma noite na Canoa II.
Como compositor, a obra de Helder Martins apresenta uma avançada conceção musical, comprovada nos temas: Tinny’s Bop Blues, devido à sua tessitura harmónica; no multi-estilístico African Blues; na melodia da canção Mil Estrelas; em Madeira Sereia do Mar; Milagre e Yé E Não É.vinil_helder_martinsMúsico atento e informado sempre em busca de atualização, Helder Martins realizou arranjos para pequenas e médias formações, nos mais variados géneros musicais, inspirado na obra de Duke Ellington: compositor, pianista e regente de orquestra. Duke foi considerado uma das maiores influências no Jazz desde a década de 1920 até à de 1960 e o maior compositor de Jazz americano.
No âmbito da obra e estilo de Duke Ellington, Helder Martins realizou arranjos originais de temas como How High The Moon, C Jam Blues ouTakeThe A'Train, interpretados ao vivo pela Big Band no Hot Club de Portugal, durante a edição de 2005 do Festival Funchal Jazz, um evento de homenagem a Helder Martins.

Na década de 1950 Helder Martins era pianista do Quinteto do Hot e participou em conjunto com o guitarrista Carlos Menezes e o vocalista Max nos I, II, III e IV Festivais de Música Moderna (Jazz), organizados pelo Hot Clube. Como músico profissional atuou também em restaurantes e boîtes: a Canoa, Carroussel, Casa da Madeira ou Casino Estoril, sendo o Hot Clube, a instituição mais representativa na sua carreira.
Luiz Villas-Boas, patrono do Jazz em Portugal, revela que Helder Martins, como músico, revelou-se no Hot Clube, onde tocava assiduamente nas Jam SessionsI.
Bernardo Moreira, membro do Hot Clube, reconhece que Helder fez parte do lote de músicos que “foram os primeiros em Portugal com os ouvidos abertos para o JazzII.


Autoria:

Borges, Jorge (2008). “Helder Martins”. In 50 Histórias de Músicos na Madeira. Funchal: Associação de Amigos do Gabinete Coordenador de Educação Artística.

Atualização:

Ventura, Ana  (2011). “CARVALHO, Helder Martins de”. Dicionário Online de Músicos na Madeira. Funchal: Divisão de Investigação e Documentação, Gabinete Coordenador de Educação Artística, atualizado em 27/10/2011.

Música:

 

Querida Terra Formosa  
Maria del Carmen  
Enamorado  
Coisas Esquisitas  
A Graça da Joaninha (‘Quando ela passa...’)  
Dia da Espiga  
Giestas  
Rua dos Meus Ciúmes  
Anabella  
African Blues  
Yé e Não É  
Madeira Sereia do Mar  
Mil Estrelas  



Bibliografia:

Borges, J. (2008). “Helder Martins”. In 50 Histórias de Músicos na Madeira. Funchal: Associação de Amigos do Gabinete Coordenador de Educação Artística, pp. 85-86.

Martins, H. B. (2006). O Jazz em Portugal (1920 – 1956). Coimbra: Editora Almedina.

Notas de Referência:

I Martins, H. B. (2006). O Jazz em Portugal (1920 – 1956). Coimbra: Editora Almedina, pp. 134-135.

II Martins, H. B. (2006). O Jazz em Portugal (1920 – 1956). Coimbra: Editora Almedina, p. 170.

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