CASELLA, César Augusto

Resumo:

Funchal, fl. 1850 - Lisboa, 1886

Violoncelista, compositor e virtuoso César Augusto Casella realizou atuações na Madeira, Açores, Lisboa e Porto, Londres, Paris, Madrid e Brasil. Integrou também a orquestra do Teatro S. Carlos em Lisboa e do Teatro S. João no Porto.

Biografia:

sem_foto3César Augusto Casella esteve durante várias temporadas Madeira, onde participou ativamente em concertos como violoncelista. Para além da Madeira o músico percorreu a Europa com atuações, esta dinâmica e as suas composições para violoncelo fizeram de César Augusto Casella um músico internacionalmente reconhecido.
Sobre a obra de Casella, existem várias composições para violoncelo publicadas, entre elas Le Chant du Chrétien, que teve muito sucesso nos seus concertos; Capricho para violoncello; Recordações de Nápoles (Scena phantastica); a valsa Adeos á Madeira. Este músico foi também professor do Rei D. Luiz I.

César Casella descendia de uma numerosa família napolitana de músicos, que usavam o mesmo apelido. No que diz respeito à tradição musical da família, o seu irmão Carlos Casella foi professor de violoncelo no liceu musical de Turim; em 1900, o filho do violoncelista, também com o nome de César Augusto Casella, era um reconhecido artista em Paris.

Sobre a sua vida pessoal existem também registos do seu casamento com Felicia Lacombe, irmã do pianista francês Louis Lacombe.

De acordo com a referência de Ernesto Vieira no Dicionário Bibliográfico de Músicos Portugueses, em Portugal César Casella foi um participante imprescindível dos Concertos Populares, que ocorriam na cidade do Porto, denominados assim devido ao preço das entradas a 300 réis. Nestes concertos o músico foi veementemente aplaudido e noticiado, com excelentes críticas pelos jornais da época.
Em 1849 César Augusto Casella, ainda radicado na cidade do Porto, atuou como primeiro violoncelo da orquestra do Teatro de S. João.

No início da década de 1850 encontram-se referências de César Casella na Madeira, com diversos concertos realizados na Sala Lancasteriana, acompanhado ao piano por Duarte Joaquim dos SantosI. O Diário de Notícias publicou, na edição de 18 de Janeiro de 1851, um agradecimento do violoncelista, que se afirmava “profundamente grato ao acolhimento nobre (…) recebido do público em geral e dos seus amigos em particular, merecendo especial menção, os curiosos que [compunham] a philarmonica desta ilha, e o Exmo. Sr. Duarte Joaquim dos Santos que (…) se prestaram a acompanhá-lo nos seus concertos”. No mesmo artigo, anunciava-se o concerto de despedida de César Casella nesta temporada, que ocorreu no dia 27 de Janeiro na Sala Lancasteriana. No programa deste concerto constavam as composições: Capricho para violoncello e Recordações de Nápoles (Scena phantastica), com autoria e execução por Casella, assim como o final da ópera Lucia de LamermoorII.

Em 1851, de regresso à Madeira, no dia 3 de Março o violoncelista atuou com Agostinho Robbio na Sala LancasterianaIII. Posteriormente em 1852 viajou por diversas cidades, nomeadamente, São Miguel, Lisboa e Madrid, onde se distinguiu como violoncelista no Teatro Real. Em 1865 regressou ao Porto onde realizou um concerto a 4 de Novembro, cujo êxito levou à repetição do espetáculo cinco dias depois, na mesma cidadeIV.
César Casella realizou várias viagens com passagem por Londres, Paris, Madrid, Açores e Brasil.

Em 1878 encontram-se referências sobre o regresso do músico ao Funchal, nomeadamente com a sua presença nos espetáculos produzidos pela Sociedade de Concertos Funchalense.
Esta Sociedade permitia a alguns artistas locais tocar com mais regularidade, quer na orquestra, quer como solistas. Os músicos mais destacados foram Augusto José Miguéis (saxofonista), José Maria Fortunato da Silva (flautista), Agostinho Martins Júnior (violinista) e Eduardo Gomes da Silva (violinista). Atuavam também os artistas estrangeiros Ernesto Mascheck, acompanhado pelas suas alunas e César Augusto CasellaV.


O violoncelista ainda participou em diversos concertos vocais e instrumentais no Teatro Esperança, no Funchal em 1879. Destes espetáculos destacam-se aqueles em que participaram os intérpretes Sanzini e Bianca Dejean e Albino Verdini, com acompanhamentos executados por Francisco Villa y Dalmau. Segundo referências publicadas pela imprensa madeirense em 1879 estes concertos tiveram um êxito admirável e os artistas foram bastante aclamadosVI.
O Diário de Notícias de 27 de Julho de 1879 anunciou a partida de César Augusto Casella para Tenerife, na companhia dos “srs. Verdini e Villa, e as sras. Sanzini e Dejean”. Em 1881 César Casella regressou a Portugal, para atuar na orquestra do Teatro S. Carlos em Lisboa, agrupamento que integrou até à data do seu falecimento em Abril de 1886.

Autoria:

Camacho, Liliana (2010). “Casella, César Augusto”. Dicionário Online de Músicos na Madeira. Funchal: Divisão de Investigação e Documentação, Gabinete Coordenador de Educação Artística, 07/12/2010.

Atualização:

Ventura, Ana (2011). “CASELLA, César Augusto”. Dicionário Online de Músicos na Madeira. Funchal: Divisão de Investigação e Documentação, Gabinete Coordenador de Educação Artística, 13/10/2011.

Bibliografia:

ESTEIREIRO, P.; BORGES, J.; FREITAS, M.P.; BARROS, R.; FERNANDES, R.; CAMACHO, R.; PINTO, R.M. (2008). 50 Histórias de Músicos na Madeira. Funchal: Associação de Amigos do Gabinete Coordenador
de Educação Artística, p. 3.

VIEIRA, Ernesto (1900). "CASELLA, César". Dicionário Biográfico de Músicos Portugueses, Vol. I. Lisboa: Editora Casa Benjamim & Filgueiras, p. 237.

Notas de Referência:

I CARITA, Rui & MELLO, Luís de Sousa (1988). 100 Anos do Teatro Municipal Baltazar Dias. Funchal: Câmara Municipal do Funchal, p.42.

II Diário de Notícias (1876 - ). “Coleção de Jornais”. In Biblioteca do Arquivo Regional da Madeira [s.n. recurso digitalizado]. Funchal: 25/01/1851.

III Diário de Notícias (1876 - ). “Coleção de Jornais”. In Biblioteca do Arquivo Regional da Madeira [s.n. recurso digitalizado]. Funchal: 01/03/1851.

IV VIEIRA, E. (1900). Dicionário Biográfico de Músicos Portuguese, Vol. I. Lisboa: Editora Casa Benjamim & Filgueiras, pp. 237–238.

V MELLO, Luís de Sousa (1992). “E os Líricos vieram…”. In Islenha, N.º 11 (Jul. - Dez. 1992). Funchal:
Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Direção Regional dos Assuntos Culturais, pp. 18-19.

VI Diário de Notícias (1876 - ). “Coleção de Jornais”. In Biblioteca do Arquivo Regional da Madeira [s.n. recurso digitalizado]. Funchal: 11/06/1879.

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